quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Baba-card

Parei no posto de gasolina pra colocar gasolina. Só R$ 30. Só pra completar mesmo.

O frentista me atendeu prontamente. Perguntou se era débito. Eu disse que sim. Ele me disse pra passar o cartão com o garoto um pouco mais à frente.

Saí do carro e entreguei o cartão pro garoto. Ele se distraiu por um segundo e foi atender, rapidamente, uma outra cliente.

Quando voltou da tarefa-relâmpago, veio segurando meu cartão na boca.

Veio segurando meu cartão na boca.

Isso mesmo.

Segurando meu cartão.
.
Na boca.

Caminhando com o olhar perddo, entretido nos próprios pensamentos. Tão relaxado a ponto de, despojadamente, prender o cartão entre os lábios. Só que era o meu cartão.

Não tive nojo, propriamente. Mas, confesso, estranhei um pouco a cena.

Pensei: "E se eu quisesse passear com o meu cartão na boca? Já seria um cartão batizado! Cada um que bote suas próprias coisas na boca, como canetas, crachás, unhas".

Fiquei olhando o jovem frentista para ver se ele percebia a situação singela, porém esdrúxula, que estávamos vivendo naquele momento.

Se ele notou, não demonstrou. Seguiu em frente, passou o cartão, disse boa tarde e muito obrigado, me devolveu o objeto e foi atender um outro motorista.

Guardei meu Visa levemente babado.

Enquanto saí dirigindo, pensei:

Isso é que é atendimento personalizado, íntimo mesmo.

Será que ele faz isso com todos?

7 comentários:

  1. Valeu, Drei! Ri demais com essa parte aqui, cuja escrita ficou com o timing perfeito pro humor:
    "Quando voltou da tarefa-relâmpago, veio segurando meu cartão na boca.

    Veio segurando meu cartão na boca.

    Isso mesmo.

    Segurando meu cartão.
    .
    Na boca."

    ResponderExcluir
  2. A informalidade do Rio chega a níveis estratosféricos.

    ResponderExcluir
  3. Rs... Morri de rir imaginando a situação. Trágica se não fosse tão cômica! Meu Deus, onde esse mundo vai parar?!
    Bj, Isabella

    ResponderExcluir
  4. aí, galera que conheceu o andré pequenininho: ela não gostava de beber no copo da gente e dizia "tenho nojo do seu gosto"...

    ResponderExcluir
  5. rectius: onde se leu " ela" leia-se "ele".

    ResponderExcluir
  6. também já recebi um atendimento personalizado num dermatologista que eu fui. Estava incomodada com alguns cravos que apareceram no meu rosto.

    Quando entro no consultorio o medico diz: "tá espinhuda, hein"

    ...muito obrigada....

    ResponderExcluir
  7. Ai Andrezito, como vc me faz rir. Ri a valer!! Logo que eu estava lendo já lembrei imediatamente do que sua mãe lembrou. (vc não gostava de ninguem bebendo em seu copo) Hilário esse post. Valeu.

    ResponderExcluir

Olá. Pra comentar, não tem burocra!
Basta clicar no terceiro item, Nome/URL.
Aí, é só digitar o nome. Pode ignorar o URL!
Valeu pela visita!