segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Aula de geografia

Dacar. Onde fica?

O Mapa diz: Senegal. O Google maps concorda. O Google Earth, com lentes transnacionais via-satélite, lá de cima, não me deixa mentir:

Senegal.

Logo, responda rápido: Onde é disputado o RALI DACAR?

Resposta: ARGENTINA!

Sem controle sobre as ameaças terroristas, a organização resolveu trazer o evento em 2009 para a América do Sul. Trouxe a disputa e o nome do lugar também. Rali Dacar na Argentina.

Como o Rock in Rio.... onde é o festival de rock? Rio? Nada! Nos últimos anos, foi em Portugal.

E sem abandonar o nome: Rock in Rio Lisboa! (É Rio Lisboa, mas não tem o patrocínio da padaria do Leblon não...)

Por que essa esquizofrenia?

O evento deve se perguntar, em crises existenciais: Afinal, sou Lisboa, Rio, Dacar, Buenos Aires? Quem sou eu?

E nós, às vezes, lemos sobre isso sem perceber, coniventes que somos com a ditadura das marcas.

Sim, esses eventos só não mudam de nome porque "a marca já está consolidada".

Além de soar estranho, soa autoritário.

É uma atitude parecida com a daquele livro de geografia que lançaram nos EUA, um tempo atrás, decretando que a Amazônia é terra internacional.

Lembra, também, o comportamento do homem branco que fincava a placa de madeira em terras indígenas com os dizeres: "Alamo", "Texas", "Ilha de Vera Cruz" ou "Terra de Santa Cruz".

- Atenção, aborígenes. Esta terra agora vai se chamar Austrália! Não gostaram? Corram!

- Atención, mi Buenos Aires querido! Esa tierra ahora se llama Dacar!

-Atenção, irmão Lusitanos! O festival na capital de vocês chama-se Rio de Janeiro e ponto final!

Me desculpem, às vezes fico meio radical. Mas para mim, nas entrelinhas, o desrespeito de hoje é o mesmo daquele de 500 anos atrás. Só que agora, vem mais perfumadinho, embaladinho, com logotipo.

Vendem o produto. Depois, saem sorrindo, de cara lavada.

Einstein na pole-position

Jogando ioiô, de bigode e cabelos-piaçava, Albert dá a língua para os concorrentes!
Já tem 6 votos no "quadrangular final" dos Gênios!

Mas o maior cientista do século XX não pode dar mole para os outros barbudos, que vêm na cola!

Van Gogh, o homem da imaginação colorida, e Freud, o decifrador de mentes, estão logo atrás com 5 votos cada!

Shakespeare, meu predileto, tem apenas 2 votos (um deles, o meu próprio!)

A enquete que está ali do lado, à direita na página, ainda está valendo!

E com quórum nunca antes visto neste blog, de 18 votantes até agora!
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Devo isso ao carinho do Marquinhos, que tem um blog campeão e me "linkou" neste domingo. Fiquei muito feliz mesmo, amigo! De coração.
O blog dele está a dois cliques daqui.
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Ao carinho da Marina W, que também convidou muitos leitores pra cá!
Marina, que tem o único BloWg no mundo que se escreve com W!
Blog para Women com W maiúsculo (para homens também, hehe).

E do Zé Luis, que também chamou alguns amigos com seu slowdown, um site com ritmo tranquilo, poético e pensativo, bem contrário à ansiedade e pressa da internet.

Valeu todo mundo que está topando participar dessa brincadeira! Lendo, comentando, votando sem propósito!!

ps: ainda aposto minhas fichas no William!! Vai virar esse placar!

Jogo do Gênio

Desde que comprei esses bonequinhos, fico pensando:

desses aí, quem é o maior gênio?

Mais do que isso. Fico pensando se é possível comparar ícones de áreas tão diferentes, comparar a importância de cada um deles para a humanidade.

Concluo que é questão de gosto. De opinião, de afinidade.

Talvez, os engenheiros prefiram o Einstein.
Os psicólogos elejam Freud.
Os artistas gostem do Van Gogh,
e atores e diretores curtam o Shakespeare.

Talvez não haja regra, nem estereótipo a ser seguido.

Só pra brincar, coloquei essa enquete aí do lado. Pra ver qual é a opinião de vocês.

Quem deve ganhar?

- O homem que tratou os humanos como indivíduos com "neuroses e doenças particulares", acima das patologias comuns a todos?
- O artista que jamais vendeu um quadro em vida, mas transformou o conceito de beleza com suas cores e grossas camadas de tinta?
- O Físico que reformulou as noções de espaço e tempo, mostrou que a matéria pode ser convertida em energia, tido como o maior cientista do século XX.
- O escritor cujas peças e engenhosidade de enredo servem de guia para todos os filmes de Hollywood de hoje?

A escolha é dificílima. Sem mais explicações, o meu favorito é Shakespeare.
(Se tivesse que ordenar, seria Shakespeare-Einstein (Muito próximos) -Freud-Van Gogh (com muito pesar deixá-lo por último).

Houvesse um gênio da música aí, não sei como seria minha ordem não...

No JOGO DO GÊNIO, qual é o seu favorito?


Mais bonequinhos? http://www.philosophersguild.com/

domingo, 4 de janeiro de 2009

O blog deve pulsar

Escrever agora?
Mesmo sem inspiração?

Melhor deixar pra depois. Quem sabe, terei boas idéias.

Estes são tempos de internet.
A vida em ritmo de internet.
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Antes, ler um jornal por dia bastava.
Agora, entra-se de 5 e 5 minutos no globo online. Já pode ter novidade.
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E o blog? É pra ser "Meu querido diário"?
Ou só diário? Quem sabe, várias vezes ao dia?

O blog deve ter a verve e a impaciência internética?
Sempre, a todo momento, sem parar?
Ou deve seguir a cadência da inspiração humana?
Paciente, vivendo de lampejos?

Hoje, seres humanos são máquinas.
Voando na velocidade da fibra ótica.
Prefiro deixar meus posts
no ritmo do corpo humano
que respira, que pulsa
com intensidade, mas também com intervalos.

Que este blog seja um organismo
e não um mecanismo

respirando
sem pressa

de vez em quando.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ósseo criativo

De volta ao Takanakuy

Socos, chutes, muita agressividade.
Sangue. E um juiz para interromper a luta quando alguém começa a se machucar muito.

Assim é a festa do Takanakuy.
Este é o método usado para resolver rixas pessoais num povoado do Peru.

Uma vez por ano, dia 25 de dezembro, habitantes se enfrentam, dois a dois. Até crianças entram na briga. A aprovação popular beira o 100%.

Uns posts atrás, escrevi sobre isso e coloquei uma enquete. Deu empate. Metade acha o método válido para extravasar a raiva imbutida. Metade condena a prática.

É difícil opinar, por isso o caso é tão interessante.

Se adotarmos o relativismo cultural, tudo aquilo que nos parece estranho mas pertence a outra cultura é válido e legítimo.

Ou seja, tudo pode.
Burka sufocante nas mulheres de Cabul pode. Sapatinhos 5 números menores que os pés das concubinas chinesas, que os deformam, também pode. Mulheres apedrejadas por adultério na Arábia Saudita, ôpa, esse também é supernatural!

Mas como não dá pra aceitar tudo, deve haver alguma linha que separe o absurdo do tolerável, algo que respeite o senso comum de todos os habitantes do planeta. Aí está o desafio do homem, encontrar esse limite.
Assim, voltamos a nossa vila peruana, onde todos trocam tapas até tirar sangue para dar vazão às angústias do dia-a-dia.

Na minha opinião, não podemos apontar o dedo à agressividade dos outros sem esquecer que o nosso cotidiano urbano é tão bélico quanto o peruano. Aqui, se buzina à toa, se xinga no trânsito, se faz gestos obcenos.

Briga de mão? Surge em qualquer lugar, a qualquer hora, seja entre bêbados no bar, entre torcedores nos estádios, entre motoristas desaforados, entre pitboyzinhos na boate.

Raiva, ódio. Afloram em qualquer cidadão de bem que leia as notícias deste país, reino da impunidade. Que vontade de esmurrar aquela cara cínica do Luiz Estevão, do Maluf, do Collor!

Nosso dia-a-dia também oferece elementos para sermos tão violentos, ou mais, que a comunidade do Takanakuy. Mas será que a troca de socos e pontapés por lá estimula uma sociedade mais violenta, que autoriza a agressão física como modo de resolver pendengas?

Para responder isso, teríamos que pesquisar o cotidiano, os índices de criminalidade e violência deles. Tenho a impressão de que a briga fica dentro da arena, apenas lá dentro, e não transborda para o convívio social.

Minha única restrição ao Takanakuy é com relação às crianças. Não acho que elas devessem fazer parte da troca de tapas. Não acho que têm estrutura psicológica para compreender aquele fenômeno social. Acho que expô-las a essa festa da agressão pode deformar a índole que ainda não amadureceu.

Só assim, talvez, a futura geração não aprendesse a violência como regra. E pudesse festejar o Takanakuy só com dança e fantasias, abrindo mão dos chutes, dos socos e do sangue.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Inventando a roda


"Nada se cria, tudo se copia"

Sempre pensei que houvesse um tom pejorativo nessa expressão.

Afinal, quem copia não se garante. Faz plágio. Imita.

Mas, com o tempo, tirei outra conclusão.

Tanto já foi criado que ficou difícil produzir algo inédito.

A busca pela originalidade pode esbarrar, sem querer, no que já foi inventado.

As criações, pois, devem viver em pequenas bolhas.

Nunca colei. Nunca fiz copy + paste.

Se eu inventar, um dia, algo que já existe

por favor, não me avise!

Foto-verso

Borrão,

De longe, efeito.

De perto, defeito.

Perdoe-me o mau humor


A selva urbana que vivemos produz algumas anomalias que já se tornaram banais, tal é a frequência com que insistem em acontecer.

Caminhoneiros que carregam toneladas pelas estradas afora, sem poder dormir. Como pode existir essa profissão? Um acidente ambulante, esperando para acontecer. Ah, e com obstáculos esburacados para dar mais emoção.
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Este é apenas um dos absurdos cotidianos. Tem também os seres-humanos que puxam carroças de entulhos; casebres que desafiam a gravidade, crescendo morro acima, com alicerces frágeis. E tantos outros que, às vezes, nem causam mais indignação.

Mas há um, menos perigoso e degradante que os citados acima, que me chama muito a atenção. E me revolta bastante.

Por que será que a classe média aceita ficar fazendo fila pra comer?
Ok, o restaurante é bacana, a comida é de qualidade, frequentar aquele lugar dá status e tal... Mas esperar mais de uma hora para sentar-se à mesa é um exagero!

Sem contar que o sujeito já chega ao restaurante com fome. Eu, quando tenho fome, se esperar mais uma hora me transformo no Senhor Rabugento!

Confesso, é uma opinião meio radical. Cada um é cada um, quem quiser esperar que espere. Sei, sei, não tenho nada a ver com isso.

Mas por algum motivo ainda não decifrado, isso sempre me irritou. Na Zona Sul do Rio tem os campeões da fila. Filé de Ouro, Braseiro, Pizzaria Brás... claro, e o campeoníssimo OUTBACK, o maior fenômeno de lotação da história da gastronomia do Brasil.

Pense em qualquer horário e qualquer dia. Qualquer um! Tem fila!

Cara, quer aberração maior que um cliente ganhar um "pager" que vibra quando chega a vez de sentar?

Me irrita um pouco passar por esses lugares e ver as pessoas sorridentes, conversando (e suando, várias vezes, quando a fila é ao ar livre). De pé, ou mal sentadas, mal acomodadas. Mas na boa, conformadas, esperando a vez.
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Sei lá, acho que me incomoda tanto porque parece uma metáfora social. Esse "aguardar passivamente" representa um comportamento cotidiano maior, de acomodação, de que tudo está bom como está, contanto que seja imposto pelos lugaresinhos-chiques-formadores-de-opinião.

Me irrita um pouco a apatia, o ar blasé, amparado e abençoado por uma grande marca de restaurante: "Ah, estou aqui perdendo tempo mas, afinal, estou esperando para comer no Outback!"

Me transmite um pouco de descaso com o próprio tempo livre. É como se a experiência social vazia se sobrepusesse à vontade que as pessoas têm de se divertir, de gastar o lazer com coisas mais prazerosas.

Sei lá, ultimamente tenho andado pensando muito que o homem se realiza mesmo é no seu tempo livre, e não tanto no trabalho. Trabalhar com o que se gosta é uma benção, que não sorri para todos. Mas escolher o lazer é algo totalmente pessoal, que não depende de mais nada.

Dar uma corrida, dar um pulo na praia, ver um bom filme, dormir e sonhar, ir a um show, escrever, ler, pintar, pedalar, viajar, jogar bola, tocar um instrumento, tirar fotos, ficar de bobeira, namorar... Isso tudo nos traz realização de uma forma quase-transcedental.

Mas ficar parado na porta de uma birosca, sorrindo e suando, isso não!

Foto-verso

Uma mensagem para 2009

Se todos pensam numa só direção,

vá na direção contrária!

Feliz Ano N9ve a todos!