quinta-feira, 30 de abril de 2009

Trilogia Burocracia - Trailer

Tédio!

--(Imagens de ação clipadas!)---

Revolta!

---(Imagens editadas rapidinho, com música frenética)---

Encheção de saco!
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---(Imagens aceleram + fade)--
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O Devezemquando Productions apresenta mais uma superprodução.

Um homem.... determinado a viver a vida com prazer.

Ele não contava.... com um inimigo inesperado!

--- (sobe-som de música de suspense)----

A burocracia do dia-a-dia!!!

Receita Federal!

Detran!

Operadores de Telemarketing!

Inimigos poderosos....

mas ele resolveu ir à forra!!!

---(grande barulho de explosão! + protagonista diz: "I´m back!")---

Em breve....

no Blog devezemvez.blogspot.com

terça-feira, 28 de abril de 2009

Sabores

É só impressão minha

ou quando mordemos uma melancia sem doce

o gosto é o mesmo de um pepino?

Quando ajudei Maria Lenk a calçar as sandálias

- André, hoje você vai lá buscar a Maria Lenk!

Funcionário recém-admitido não recusa tarefas. Na maioria das vezes, nem quer rejeitá-las. O que não quer dizer que não esteja nervoso com a empreitada.

A missão não era das mais difíceis. Buscar a Maria Lenk na casa dela, no Leblon, para fazer uma entrevista.

Maria Lenk já estava muito velhinha naquele ano, em 2004, embora tivesse saúde de aço. Aos 89 anos de idade, continuava nadando, no mínimo, 1500 metros todos os dias.

Nadando como quando era criança, no Rio Tietê, ainda limpo. Ou em 1932, em Los Angeles, quando se tornou a primeira mulher da América do Sul a competir em Olimpíadas.

Nadando como em 1936, nos Jogos de Berlim, que Hitler usou para provar ao mundo a superioridade da raça alemã... (mas o ditador se esqueceu de combinar com um certo negro americano chamado Jesse Owens; Atleta voador que colocou os branquelos no devido lugar).

Naquela edição das Olimpíadas, Lenk e a delegação brasileira viajaram para a Alemanha de navio. Na embarcação, havia um tanque de água com uma engenhoca que produzia marolas artificiais. Os atletas, Maria Lenk inclusive, davam braçadas contra as ondas para treinar e não perder a forma física.

Um lindo símbolo: nadavam sem sair do lugar, provando que a delícia de nadar está no ato em si, e não na ambição de se chegar a algum local.

No carro com motorista, fiquei sabendo, pelo celular, que as regras do meu compromisso eram um pouco diferentes do que eu imaginava:

Maria Lenk estava sozinha em casa.
Morava no terceiro andar.
E um detalhe importantíssimo: o prédio não tinha elevador.
As instruções eram claras. Eu deveria subir, pegá-la pelo braço, e ajudá-la a descer as escadas.

- Oi, tudo bem? Eu sou o André, vim buscar a Maria Lenk. Posso subir?

- Pode sim, disse o porteiro.

Passo a passo escada acima, lá estava eu em frente à porta dela.

Vi primeiro os olhos esverdeados. Abriu sorrindo, me deixando bem confortável.

- Pode entrar, meu filho. Ainda não acabei de me arrumar. Me espera aqui na sala.

Fui seguindo o corredor que levava aos sofás. Havia várias fotos nas paredes, retratos dela em várias idades, sempre de maiô ou sendo homenageada numa solenidade. Acho que tinham medalhinhas também, não me lembro bem.

O tempo todo, estava preocupada comigo: - Calma aí, não vou demorar nada. Vou só trocar essa roupa de ficar em casa por um vestido. Fica à vontade.

Eu estava bem à vontade. Mas não parava de imaginar como era, para uma mulher da idade dela, viver num prédio sem elevadores. Tudo bem, ela era atleta. Provavelmente tinha mais vitalidade do que eu, que levava vida de sedentário. Mas não era mole subir aquelas escadas todos os dias. E o risco de cair? Toda pessoa, ainda mais idosa, corre esse perigo.

Maria Lenk voltou arrumada. Mas tinha um probleminha.

- Meu filho, será que você pode me ajudar a abotoar essas sandálias? Eu não consigo, não alcanço, pra mim é difícil.

A docura da voz dela era uma porta de entrada enganosa para a escuridão de uma árdua tarefa.

Eu estava muito nervoso. Não levo o menor jeito para isso.

Não tenho coordenação motora para cuidar de gente. Não sei fazer massagem, tenho medo de segurar bebês de colo, fico em pânico de de ajudar a fechar o vestido da minha namorada.

Naquele momento, o desafio era forçar duas extremidades de couro de uma sandália a se encontrarem atrás do calcanhar de uma senhora de idade, e, por isso, com pele e ossos frágeis. E o pior: caso eu tivesse sucesso com o primeiro pé, ainda haveria um problema gêmeo à minha espera. Falta de confiança total!

-Está machucando?

- Não, filho. Pode apertar.

- Tem certeza? Tô tentando. Ai... não tô conseguindo! Acho que não fecha não.

- Fecha sim, filho. Pode fazer que não tá doendo não. Eu tentaria, mas realmente não consigo. Sempre meus filhos me ajudam, mas eles saíram.

- Então vamos lá! Argh... agora vai!

E foi. Um depois o outro. Parecia um obstáculo intransponível. Mas consegui abotoar as duas sandálias, com muito custo. Fiz tanta força que tive medo de tê-la ferido. Será que é preciso fazer tanta força mesmo? - me perguntei.

- Vamos?

- Vamos.

Saímos do apartamento e começamos a descer as escadas. Ali, me lembrei que havia a segunda parte da jornada. Maria Lenk se apoiou no meu ombro direito e fomos descendo pé ante pé, bem devagar.

Além de não ter habilidades de tato paternais, como descrevi antes, sempre fui tão estabanado que temi por aquela descida dos lances de escada, que não terminavam nunca.

Se houvesse como fazer cálculos matemáticos para esse tipo de coisa, constataríamos que a meiguice e a tranquilidade dela eram duas vezes maiores que minha insegurança e ansiedade. E olha que eu estava bastante aflito.

O destino quis que minhas duas tarefas fossem cumpridas sem traumas e com sucesso. A entrevista de Maria Lenk foi linda. Um privilégio ter tido a oportunidade de dividir aquele dia com ela, passando apuros domésticos e ouvindo suas histórias.

Na volta pra casa, precisei apenas colocá-la dentro do carro, agradecer e acenar. Havia alguém esperando por ela no prédio para ajudar no caminho de volta.

Ela foi se afastando e eu guardei comigo essa história até hoje. E, acredito, para sempre. Foi a primeira e última vez que a vi.

Maria Lenk, ousada, desbravadora! Paulistana que ousou nadar na época em que nenhum marido queria esposa atleta. Acreditava-se que esportistas não poderiam engravidar.

A maior nadadora da história do Brasil morreu no dia 16 de abril de 2007, com 92 anos.

Coincidentemente, no período entre nosso encontro e a data em que faleceu, entrei na natação, treinei muito e consegui realizar o que nunca imaginei: atravessar o mar de Copacabana a nado duas vezes. 4 quilômetros, mais de uma hora de braçadas.

Pra mim, um grande feito. Para Maria, provavelmente, algo que faria com a candura e a calma de um sorriso.

Tantos anos de uma bela vida lhe ensinaram a não temer as situações mais simples, nem as mais difíceis. Tinha a mesma serenidade para cruzar mares revoltos e para abotoar sandálias.

Eu ainda tinha muito o que aprender.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Vincent

Acho que se esse barbudo concorresse à presidência, destronaria o barbudo daqui.

O sem-orelha ganharia do outro, que não tem o dedo mindinho.

O barba ruiva derrotaria o barba grisalha.

Incrível como Van Gogh sempre acaba sendo o preferido da maioria nas enquetes!

Tomei como base as cinco pinturas mais importantes da humanidade, escolhidas pela revista Bravo!

Um Picasso, um Michelangelo, um Velazquez, um Da Vinci... ou melhor, um Da Vinci não! O Da Vinci! A Monalisa estava no páreo!

E, mais uma vez neste blog, a votação deu Van Gogh como campeão!

9 votos dos 19 foram para o pintor holandês.

Que magia tem essas cores? Que feitiço tem essas formas curvelíneas? Que poder exercem esses nacos grossos de tinta, essas pinceladas cavalares?

Que segredo esconde essa aparente falta de técnica ao pintar, capaz de demolir a perícia e a grandiosidade das obras renascentistas?

Que força revela esse estilo único, capaz de ser o número um na preferência das pessoas, mais dramático até que a tragédia exposta em Guernica, de Picasso?

Que potência misteriosa tem esses laranjas, azuis e vermelhos que berram?

Parabéns, Vincent!

Pela pequena amostra que frequenta o blog, estou prestes a concluir que tu és, de fato, o favorito da maioria do mundo ocidental!

Acreditarias tu, em vida, fracassado, pobre e louco, que terias tantos fãs?

Será que, na angústia de tuas depressões, nos porões da tua auto-estima, sabias que tuas cores tinham tanto carisma?

Comerciais

Não é engraçado?

Quando vemos TV, os intervalos comerciais são a maior chatice.

No entanto, aqueles programas sobre anúncios interessantes são muito divertidos.

Concluo o seguinte: A qualidade nos atrai.

Podemos pinçar bons comerciais na programação. Mas a maioria é boba, óbvia, desgastada.

Um que está passando muito ultimamente é o do cara apaixonado por balinhas azuis. Ele passa os primeiros 15 segundos comendo as tais balinhas em diferentes situações. De repente, acorda com o rosto todo azul. Dá um grito e vai para o hospital.

Pensando bem, é bem idiota. Mas eu dou risada quando vejo.

Achei uma boa sacada, mas nem lembro direito de que é a propaganda.
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(Que ironia: alguns comerciais são tão bons que não esquecemos deles! Mas... que produtos eles anunciam mesmo?)

Há, contudo, as idéias horríveis, as brincadeiras de mau-gosto, as tiradas sem-graça.

Na verdade, comecei este post exatamente para resmungar de dois anúncios que estão indo ao ar.

Um deles prima pela falta de sensibilidade.

O outro tenta vender um produto dificílimo de fazer marketing. Chega a ser até engraçado.
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SKY.

Alguém já viu o último comercial dessa empresa de TV por assinatura?

É mais ou menos o seguinte: um cara com o controle remoto na mão. Uma voz do além fica dizendo pra ele que ele pode tudo! Pode ver o jogo do time dele ao vivo, mas pode pausar, se quiser, para ir ao banheiro. Se tiver a fim, ele pode voltar o jogo para um lance anterior. Tudo ao alcance dos dedos.

E a voz insiste, botando pilha: - Sim, você pode tudo! Pode qualquer coisa! Pode até voar! Voa, amigo, voa!!

A cena final é o cara se jogando pela janela. E a voz, envergonhada, dando a entender que o cara exagerou.

Péssima piada. De péssimo gosto.
Quem será que achou engraçado brincar com coisa séria?

Quantas crianças já saltaram de andares altíssimos, influenciadas pelo super-homem? Quantas pessoas com problemas psiquiátricos, de fato, ouvem vozes que as persuadem a fazer coisas?

Em uma tacada só, 30 segundos tripudiaram de esquizofrênicos e podem ter instigado crianças a fazer besteira.

Admito, eu tenho uma tendência a ser politicamente correto demais.

Mas acho que, quando lidamos com os canhões dos meios de comunicação (como a televisão), todo cuidado é pouco.

A mensagem passada aos clientes é: - Se assinarem a SKY, não esqueçam de colocar redes nas janelas.
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O outro comercial é constrangedor.

É engraçado ver os personagens, na televisão, tentando vender um produto sem falar, objetivamente, a maior qualidade dele: Aliviar a prisão de ventre!

Me dá aflição assistir àquela mãe, aquele pai, aquela vovó que consome o iogurte 'Activia' dando voltas e voltas para tentar explicar como o alimento melhorou o trânsito intestinal deles.

-Você está incomodado? Está de mau-humor? Ah, eu também era assim. Aceitei o desafio Activia, e agora vivo muito mais feliz!

- Er, bem... (pergunto eu) Mas você estava de mau-humor por que? E quais são os resultados práticos do Desafio Activia? O que aconteceu com você?

Neste diálogo imaginário, vejo os personagens do comercial envergonhados.. e respondendo:

- Ué, eu estava de mau-humor porque... porque eu... eu não estava muito bem de... de estômago. Enfim! Mas o que importa é que agora estou mais feliz!

Em outras palavras, é um tabu imenso tratar objetivamente do assunto em questão. Não pega bem falar de escatologias na televisão. Não seria nem um pouco popular.

Por isso, os caras preferem fazer um comercial todo colorido, alto astral, pra cima! Um "cerca-lourenço" danado pra fugir do assunto!

Fazer propaganda é a difícil tarefa de criar ilusões.

Às vezes para o mal, como quando Hitler fazia lavagem cerebral no povo alemão.

Às vezes infeliz, como no sujeito que se joga pela janela tomado pela sensação onipotente de um controle remoto.

Às vezes patético, como as pessoas sorridentes tentando fazer o telespectador entender, nas entrelinhas, do que se trata o desafio Activia.

De todo modo, é um artifício poderoso.
Mesmo com bom humor, bom senso é fundamental.

sábado, 25 de abril de 2009

Congelado

Toc, toc, toc.

São as batidas da picareta numa pedra de gelo colossal.

Sibéria. Frio de menos 25 graus.

O explorador continua o esforço. Vai descascando aquele bloco congelado.

Aos poucos, vai aparecendo uma forma humana.

Mãos. Braços. Peito. Cabeça.

Sou eu. Paralisado. Entorpecido. Imóvel.

O trabalho incessante durante a semana e neste momento inclusive (em pleno fim-de-semana), me deixaram sem tempo para pensar e escrever.

Muito tempo perdido com contratempos.

Totalmente escravo da vida cotidiana das obrigações.

Idéias neutralizadas.

Mas quero voltar.

Assim que tiver tempo!
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Este post é só pra dar um sinal de vida.

E, claro, fazer uma graça.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mané

Quando criança me lembro da delícia de driblar.

Era bem mais fácil. O corpo, leve, permitia. Era divertido dançar sobre a bola. A brincadeira no andar térreo do prédio era tão gostosa quanto viver a própria vida.

Na Copa de 94, descer para jogar futebol ao fim de cada jogo da seleção era complemento obrigatório. Como um teatro em dois atos, não existia um sem o outro. Não dá pra dizer se era mais prazeroso ver o Brasil jogar ou chutar bola logo depois.

Chutar a bola e prendê-la. Deslizar com a posse dela. Correr com ela colada aos pés. E não passar pra ninguém.

Cresci. E descobri.

No mundo dos adultos, não é assim.

Quando um jogador faz muita firula, é xingado. A torcida perde a paciência. Se irrita.

Mas no fundo, eu sei, é recalque.

Todos reconhecem o talento do ídolo, mas o crucificam exatamente por saborear a própria habilidade e não prestar tanta atenção à equipe.

No fundo, todos queriam ser livres para driblar. Driblar no campo e driblar na vida. Driblar sem ter que fazer gol. Driblar as atividades, os horários chatos, os deveres, o trabalho.

Todos gostariam de ter todo o tempo que a diversão merece, sem ter que submetê-lo aos mandamentos da vida diária.

Poder levar todo o tempo do mundo despertando de manhã (ou não tão de manhã assim). Escovar os dentes devagar, ler o jornal ou ligar o rádio.

Beber água da geladeira no gargalo. Ficar de bobeira o quanto for necessário, pela simples razão de poder existir, por alguns instantes, sem obrigações. Poder chutar os horários para escanteio.

Todo mundo, no fundo, queria driblar como Garrincha.

Hoje em dia, na pelada dos sábados, os berros são para que se chute mais a gol. Para que se passe mais a bola para o companheiro.

Ninguém pede para o cara dar um drible a mais. Para pedalar mais, firular. Para embaralhar as pernas com a bola parada. Ninguém.

Estamos acostumados demais a cobrar eficiência, a termos metas e objetivos cobrados de nós. Ninguém, nem chefes nem governo, nos exige, : - Seja feliz. Fique despreocupado. Viva sem estresse. Vá curtir seu tempo de vida!

Quando era criança, assiti ao filme "Garrincha, a alegria do Povo" e fiquei inspirado. Desci para a quadrinha e tentei imitar. Deus tivesse tido bondade infinita de me conceder um décimo do talento do Mané...

Só por míseros minutos, para que eu pudesse me divertir, livre, como nunca consegui.

Mané não pertencia a este mundo. Tinha a mente tosca, precária, primária. Tinha o ritmo de vida da roça, tinha a pureza dos interioranos. Tinha a escolaridade do brasileiro médio. E não tinha pretensão nenhuma de render todo esse tesouro para a neura da cidade grande.

Jogou três copas do mundo como se estivesse descalço nos campinhos de terra de Pau Grande, sua cidade natal. Driblou zagueiros suecos e se divertiu como se estivesse entre amigos.

Tinha traços pesados, rosto de índio. Seus antepassados eram nativos da floresta, acostumados a escapar do homem branco. A tribo de seus avós foi uma das que resistiram por mais tempo. Eram exímios dribladores.

O sorriso inocente nunca largou-lhe os lábios. Parecia bobo, tonto. E era visto assim mesmo. Como um ser incapaz de compreender a seriedade do mundo civilizado.

Feliz era Garrincha. Bobos somos nós, que não nos permitimos a liberdade de fintar, de flanar sem preocupação pela vida.
Quais são nossos objetos de desejo? Que coisas sem importância nos fazem felizes?

Será que sabemos? Ou já foram, há muito, sufocados pelo cotidiano?

Mané conhecia a sua fonte de alegria: a bola. E a conduzia para todos os lugares. Não deixava ninguém tomá-la de seu controle.

Não por acaso, os devotos do pragmatismo, como nós e todos os defensores fintados por ele, ficavam com cara de pateta quando ele desfilava. Aquele ponta-direita desmascarava nossas certezas burocráticas. Mostrava que não valiam nada.
O que vale mesmo é dançar.

O camisa sete tinha um ar infantil. O mesmo ar infantil que eu tinha, aos 12 anos, quando a bola e o campinho de futebol eram a realização de todos os meus anseios em vida.

Criança não se preocupa com objetivos. Criança não vê horizonte. Criança só pensa no hoje e a vida parece uma eternidade.

Adulto é que se preocupa. Adulto pensa na morte. Pensa no fim. E, por isso, perde tanto tempo com prazos, metas e cobranças. São muitos os afazeres a serem cumpridos antes de o fim chegar.

Adulto não dribla. Adulto só sabe chutar no gol.

Garrincha teve, sim, um fim trágico. Vítima de excessos que, quem sabe, não atropelariam outros mais sagazes, mais escaldados nessa vida realista e utilitária. Mas soube viver seus momentos de bola na plenitude. Soube fazê-los valer por eternidades instantâneas.

Para ele, a vida era um campo de futebol sem trave. Sem rede. Era só um grande espaço para bailar, fintar e se divertir.
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Ó Pai, como eu queria brincar como Mané.
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Finalmente, estou lendo o livro "Estrela Solitária", de Ruy Castro, lançado há mais de uma década.

Um livro que não parece livro. É grosso mas não pesa. Tem muitas folhas, mas como se as páginas não tivessem números. Faz o tempo voar. Recomendo a todos os amigos.

E quem quiser aprender a viver como Garrincha, a primeira aula é grátis:

domingo, 19 de abril de 2009

Pensamento à distância

Alguns já sabem, outros não.

Estive na China duas vezes em 2008. Nas duas ocasiões somadas, foram dois meses no país.

Escrevi as frases abaixo enquanto estava lá.

Mais de um ano depois, resolvi dividir:
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Estar do outro lado do mundo é filosoficamente interessante:

É quase como conquistar a lua.
Onde mais posso ir? - pensa o astronauta.

Quando se chega tão longe no globo, o que resta a explorar?

Descobre-se, a olhos vistos, que o mundo é finito.

A China, para os brasileiros, é um símbolo do inatingível.

"Nem aqui nem na China"; dizemos.

Os povos antigos viam o mundo como algo sem fim, misterioso, a ser explorado por toda a eternidade.

Mas botar os pés na Ásia e perceber que, em muitos sentidos, ela se parece com o ocidente é colocar um ponto final no mundo.

É deparar-se com o limite da megalomania humana.

Sim, estamos presos no planeta terra.

Não há mais mistérios a descobrir.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

5 pinturas essenciais

1- Monalisa, de Da Vinci


2- Guernica, de Picasso



3- Noite Estrelada, de Van Gogh


4- A Criação do Homem (Capela Sistina), de Michelangelo


5- As meninas, de Velazquez

Estou meio atrasado, admito.

A revista Bravo! lançou, há 4 meses, uma edição com as 100 pinturas essenciais da humanidade, todas por ordem de importância.

E cravou que as 5 principais são essas daí.

A campeã foi a Monalisa... unanimidade.
Será?

Por que boa parte da humanidade chegou a essa conclusão? A de que um pequeno quadro de uma mulher posando é mais importante que uma gigantesca e espetacular pintura no teto de uma igreja, com traços grandiosos e expressão corporal comovente?

Por outro lado, aquele modesto quadrinho é, inegavelmente, mais influente que as figuras de Deus e o Homem quase se tocando com os dedos (composição que quase cobrou a visão de Michelangelo. Ele pintava em cima de uma escada e tinha gotas de tinta tóxica pingando nos olhos).

E como trazer para o jogo das comparações duas obras que, aparentemente, demonstram menos técnica que o traçado perfeito do Renascimento? Como comparar um Van Gogh e um Picasso à Monalisa e à Capela? Que critérios usar?

Noite Estrelada seduz pelas cores, Guernica pelo drama de guerra retratado no desespero das figuras.

E o quadro de Velazquez, talvez o mais cerebral deles? Escuro, sombrio e misterioso.

No fundo, fazer listas e eleger os melhores é meio papo-furado. Não leva a lugar nenhum.

Gosto é gosto e cada um tem o seu. Não há como "rankear" certas coisas.

Por outro lado, esse exercício de contrastes pode levar a boas discussões.

Em meio a prós e contras, abro mais uma enquete:

Dessas cinco, qual é a sua pintura favorita?
Vote ali em cima na página, à direita.

Vamos ver se importância tem a ver com preferência pessoal.
Em termos de influência, a Revista Bravo diz que é a Monalisa. Você concorda?
Você acha justo a Monalisa ser considerada essa Coca-cola toda?

Para responder, é só clicar aí embaixo, nos "comentários".

Quem quiser listar a ordem de importância, pode também. E quem acha que falta algum quadro nesse TOP 5, por favor se manifeste! (Pra mim, faltou "O Grito", de Munch)

Vou deixar essa enquete varar feriado adentro. Vamos ver que bicho vai dar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A, b, c e d

O qeu é mias iorptnatme?

Cnoútdeo ou frmoa?

Com tdoa creztea, ceoúntdo.

Msemo com a fmora ebmrahladaa, o cnteúodo pervlacee.

Às vzees, as ltears tneatm ipmeidr. Mas o sginfiacido slata aos ohlos do lieotr.
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O que nos ensinaram na escola é mentira!

Colocar letras na ordem certa não é fundamental para escrever.
Mesmo caóticas, elas não têm o poder de matar o sentido do que se quer dizer.

A prova de que disciplina, regras e organização são uma obsessão do homem civilizado, mas não são fundamentais.

Improviso, imprevistos e uma dose de irresponsabilidade também podem fazer as coisas funcionarem.

Aprendamos, pois: o acaso também é bem-vindo.