segunda-feira, 29 de junho de 2009

"Ei!"

O celular vibra no bolso. Nova mensagem.

Aperto o botãozinho pra ver o torpedo:

"Ei! Quer ganhar um Ipod? Então concorr..."

Parei de ler! Já deletei!

Por que deletei? Não, não é só porque não gosto desses torpedinhos que a operadora manda aos montes pro celular da gente. Spams disfarçados!

O motivo principal é uma palavrinha com 2 letras: "Ei!"

Ei????

É isso mesmo? Este é o vocativo que a operadora TIM escolheu para chamar a minha atenção e me convidar para participar da promoção sensacional???

Fico chocado com a falta de bom senso latente na atualidade.

Há uma moda no ar: todas as empresas cismaram que devem cativar o público jovem. Canais de televisão, rádios, revistas, bebidas, restaurantes...

Todos miram naquela faixa etária entre os 16 e 28 anos.

E qual é a conclusão a que chegam? Vamos chamar o cliente de "Ei!".

Genial!

Na minha opinião, um abuso da falta de educação.

Sabe aquelas pessoas que te chamam assim ó: "Psiu! Psiu!"

Irritante, tosco. O "ei" é do mesmo nível.

Para mim, há entrelinhas a serem lidas. Você só chama de "Ei" aqueles de quem você não sabe o nome, ou não se importa.

"Ei, você" pode ser dito para qualquer um. Seja o joãozinho, a mariazinha, o andrezinho.

"Ei! É, você mesmo! Serve você mesmo!", - é o que a TIM me diz quando manda uma mensagem dessas.

Em outras palavras, não liga a mínima para o que eu penso, não quer saber das minhas reclamações, vai me deixar pendurado na linha quando eu ligar reclamando de alguma coisa. Sou apenas um "Ei", como você e todos os milhões de "Eis" pelo Brasil.

Ao menos, não há hipocrisia. Sou chamado de "Ei" e sou tratado como "Ei".

Só não descobri, ainda, como faz pra parar de receber estes torpedos.

Ao menos, nos spams, existe a função "unsubscribe".

sábado, 27 de junho de 2009

Caminhando na Lua


Quando eu tinha 2 ou 3 anos, talvez muitas coisas me fizessem ter medo.

Mas nenhuma delas me marcou tanto como um certo videoclipe.

Morávamos nos Estados Unidos, em Los Angeles. A MTV já existia por lá em 1982 e 83.

Na época dos canais abertos e da TV convencional, os EUA já tinham este canal dedicado exclusivamente à música.

Bastava começar, na telinha, a saga daquele magrinho de roupa de couro vermelha e sua namoradinha que eu saía correndo da sala de TV:

- NO thriller, NO thriller! - eu gritava, em inglês.

Eu morria de medo do clipe Thriller, do Michael Jackson.

- Como assim? O Michael não era pra ser do bem? Como é que ele aceita esse conluio com um bando de zumbis pra aterrorizar a própria namorada? - Eu estranhava.

Aqueles monstros, aquela maquiagem me deixavam em pânico.

Era a primeira marca de Michael Jackson na minha vida.
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Michael morreu ontem, mas já tinha morrido havia muito tempo.

Ontem o coração dele parou. Mas fazia anos que ele já estava afastado da mídia e dos holofotes.

É claro, aqueles que compraram os ingressos para a mega-turnê que começaria em Londres, em julho, devem ter sentido um luto mais intenso.

Mas as demais pessoas do ocidente, estas não. Acredito que elas já não viam Michael fazer parte da vida delas havia tempos.

Alguns, agora, devem estar me questionando:

- Como assim? Michael Jackson já morreu há muito tempo??? E a sua obra?? E sua genialidade???

Concordo, amigos. Também acho que a arte de um homem o transforma em imortal. Acredito que o talento e as habilidades de um ser humano, diferente dos demais, faz dele digno de ser lembrado durante muitos séculos.

Gênio? Não preciso repetir o que é óbvio, e o que temos visto tanto nas TVs, Jornais e Internet.

Esquisito? Também não preciso bater nesta tecla. Todo mundo está careca de saber como o Michael era.

Mas o artista já tinha sucumbido, faz tempo, à pressão de ser um mega-star! Fazia décadas que vivia recluso.

Eu, por exemplo, não me entristeci tanto assim. Talvez por essa ausência recente de Jackson. Talvez por ainda não ter caído a ficha.

Talvez por ele ter se transformado, com o passar do tempo, em um ser sobre-humano.

Um ser que, ao contrário da maioria dos mortais, andava de máscara, tinha um parque de diversões em casa, se vestia de maneira carnavalesca, tinha hábitos infantilizados.

Alguém que perdeu radicalmente o maior traço de identidade pessoal: o próprio rosto!

Quem desembarcasse de Júpiter e pegasse duas fotos de Michael, uma dele quando criança e a outra já adulto, jamais diria que é a mesma pessoa.

Por todos essas características, não consegui ter a compaixão e o sentimento que teria pela morte de um outro humano querido. É como se faltasse um traço de identificação.

No entanto, não pense que eu o condeno. Pelo contrário.

Jackson morreu há exatos 45 anos.

Morreu quando ainda era criança, o caçula de 9 irmãos, e foi forçado para as vísceras do mundo do estrelato.

Apanhava do pai, era o astro da banda formada por outros 4 irmãos já marmanjos.

Perdeu ali sua inocência, sua infância e sua vida.

Acho que poucos perceberam, mas tivesse Michael morrido com 80 anos, teria sido o único caso da humanidade em que a pessoa viveu em frente às câmeras desde criança até a velhice.

Um autêntico "Show de Truman". Um reality show da vida real! E que não acabaria nunca.

Imagina a pressão.

Talentoso que era, mudou a música e a estética POP para sempre. Humano que era, não aguentou manter a sanidade.

Um tributo a Michael Jackson, que marcou a vida de tanta gente. Fundamental para a música do mundo. Essencial para formar os conceitos dessa geração que, hoje, tem a minha idade.

Mas fico pensando.

Isto é o que Jackson, em meio a tanta loucura, conseguiu dar à humanidade.

Se pudéssemos voltar no tempo, será que a humanidade teria aberto mão de fazer daquela criança um ícone?

Será que Michael não teria trocado sua vida meteórica pela chance de fazer tudo de novo?

Será que ele não preferiria ter vivido a vida de uma criança normal, de voz afinada e poderosa como só os negros têm, mas bem longe do showbiz?

Meu palpite é que sim.

Acho que teria aberto mão de caminhar na lua para poder andar tranquilo pelo planeta Terra.

Uma homenagem a Michael Jackson, por tudo o que ele foi. E por tudo aquilo que ele não pôde ser.

Paradoxos

Um dos maiores mistérios da ciência é:

Há algumas substâncias que só podem ser analisadas, ao microscópio, se forem tocadas.

Sim, tocadas pela pinça (ou por qualquer que seja o instrumento).

O problema é que o simples fato de encostar nela já altera sua composição física (e, talvez, química).

Em outras palavras: o cientista nunca conseguirá examinar a substância como ela é. Com o simples toque, deixa de ser ela mesma.
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Outro paradoxo:

um aviso escrito em braile que diz: "Não toque!"

Para desvendar a mensagem, é necessário tocar o alto-relevo com os dedos. Já era!
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Tudo isso é preâmbulo para uma história que se sucede, dia após dia, no banheiro do meu trabalho.

O papel-toalha para secar as mãos fica preso no suporte logo acima da pia. É daqueles que dificultam a saída das folhas.

É necessário puxar com firmeza. E com as duas mãos.

Senão, o risco de rasgar o papel é enorme.
A folha propriamente dita também não é das melhores.

Pois bem. E isto é o que acontece todos os dias:

Mãos lavadas e encharcadas, é hora de secá-las.

Ao encostar no papel-toalha, ele começa a desmanchar no exato ponto do toque. Os dedos molhados transferem as gotas para o papel, que rapidamente fica frágil e dissolve.

É impossível, com as mãos lambuzadas de água, tirar o raio da folha!

Quando você percebe, você já destruiu a toalha que estava pendurada, à disposição do "freguês".

A seguinte está entalada dentro da caixa plástica. O esforço de tirá-la dali implode a paciência de qualquer um.

Resultado. Xinga-se uns palavrões e seca-se as mãos na roupa mesmo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Mais Rn'R!!!

Galera,

por enquanto a discussão tá boa!

Perguntados, no post abaixo, sobre o melhor RIFF de guitarra da história do Rock, os leitores palpitaram bastante.

Já apareceram Nirvana, ACDC, Kiss, Foo Fighters, Deep Purple, The Who, Pearl Jam, Eric Clapton, Rolling Stones...

Mas tenho alguns recados para alguns dos queridos internautas:

Vinça: escolher "Detroit Rock City" como o melhor de todos é forçar muito a barra!!! Tá querendo aparecer como sabichão, é ou não é? Eu não conhecia e fui conferir no Youtube. Achei fraco... Não sabes nada de música mesmo!!!

Sr Tédio: essa ONE é do U2? Realmente a música é linda e a melodia incrível.

Cristiano: deixa de ser diplomata e sai de cima do muro!

Papis: valeu pelo primeiro comentário na história! Estreou bem!

Minha priminha de SP: Ninguém é obrigado a saber isso, então vou esclarecer. É chamado de RIFF uma linha de guitarra que caracteriza uma música. É como se fosse um REFRÃO, que fica na cabeça e pode ser facilmente identificável.

Felipe: pode votar! Bee Gees também vale!

Daniel e Touro: Vocês estão pipocando? Cadê a resposta de vocês?

Agora, uma pergunta: perceberam como não apareceu nada dos BEATLES? Será que os 4 moleques de Liverpool não sabiam fazer RIFFs?

O que acontece com a maior banda da história?

(Não se esqueçam de "Twist and Shout!")

Abração a todos

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Rock n' Roll

Pergunta difícil.

Gostaria muito da colaboração dos roqueiros.

Qual é o maior Riff de guitarra de todos os tempos???

E qual é o maior Riff dos últimos tempos???


Como a questão é seríssima e de fundamental importância (sem sarcasmo), não tenho tanta certeza para responder assim, na bucha!

Mas até que eu mude de idéia, meus favoritos são:

MELHOR RIFF DE TODOS OS TEMPOS: Whole Lotta Love (Led Zeppelin)

MELHOR RIFF DOS ÚLTIMOS TEMPOS: Alive (Pearl Jam)

E vocês, o que acham?

Comentem aí embaixo. Votos anônimos também servem. Quero ver o que vocês pensam para ver se eu mudo de idéia.

Peço o obséquio de vocês convidarem os amigos roqueiros a opinar também.

Obrigado e...

Rock n´Roll!!!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Você tem cara de quê?

Tô traumatizado.

Eu chego na padaria e o cara do balcão me grita: "Fala aí, gaúcho!"

Detalhe: nunca fui ao Rio Grande do Sul.

No trabalho, me chamam de uns três nomes diferentes.

Um tem certeza de que eu me chamo Alexandre. Eu aponto o nariz no corredor e ele berra: "E aí, Alexandre. Beleza?"

(Não é a primeira vez na vida que me chamam de Alexandre. Eu até compreendo. Alexandre também começa com "A", e contém a palavra "Andre" no nome. Tem a ver)
Outro me chama de Léo. "Oi Léo, tudo bem?"

Léo? Por que Léo?

Mas o pior é o cara que jura que meu nome é Helton. E qual é a particularidade deste caso? O nome do próprio também é Helton!

As exclamações "E aí, xará?" se intercalam com os chamados de "Fala, Helton, tudo bom?".

O pior é que o cara nem hesita...

Sabe quando você não tem certeza de como uma pessoa se chama e você diz, baixinho e rápido de propósito, um suposto nome que faça a pessoa entender que você sabe perfeitamente o que está falando?

Pois é. Nem isso o Helton faz. Ele não tem dúvidas. Ele SABE que eu também sou Helton. Pronuncia com todas as letras, claramente: H-E-L-T-O-N.
Acho que nem minha carteira de identidade o faria mudar de idéia.

Qual deve ter sido o maldito dia em que ele concluiu que nós dois éramos xarás? Que mal-entendido pode ter levado a esse equívoco?

O pior é que não sei como reagir. Afinal, todas essas pessoas são efusivas na hora de falar comigo.

Não tenho o direito de ficar p... da vida. Mas também não posso ser 100% receptivo com o erro.

Em geral, minha postura é a de "peixe ensaboado". Abro um sorriso, dou um rápido aceno, mas não paro pra bater papo.

Às vezes, faço a tática do surdo. Se o cara me chama e não estou fazendo contato visual, eu o ignoro de propósito.

Talvez, repetir minha suposta alcunha algumas vezes sem obter resposta faça o cara se questionar, com uma das sombrancelhas arqueadas e mãozinha embaixo do queixo: "Peraí... será que ele não se chama...?"
.
Outras vezes, adoto a tática do xerife no Velho Oeste. Saco primeiro e saio atirando! No simples cruzar de olhares, o cara ainda está abrindo a boca pra proferir meu falso nome em vão e já saio gritando, atropelando mesmo: "Fala, cara, tudo bem? E aí? Beleza? Que bom! Tranquilão então né? Valeu, fui!!!"

Já metralhei o sujeito sem dar tempo de ficar constrangido.

A última saída que encontrei para essa saia-justa é executar um plano em conjunto. Mas este exige coordenação, ensaio e parceria.

Faço o seguinte: comento com um amigo sobre o problema em curso. Espero a chegada do errante, como numa armadilha, e peço ao meu camarada para que grite meu nome, em alto e bom som: - André!!!

Assim, rezo para que o fulano equivocado preste atenção e desconfie, por um instante, que eu não me chamo Léo, nem Alexandre, tampouco Helton, e que, pelamordedeus, não sou Gaúcho!!!

Confesso, senhores. É uma aflição diária.
É a cruzada do homem que guarda um segredo horrível, capaz de fazer ruir a convicção mais concreta dos colegas, e causar decepção, embaraço, desilusão.

Deixa quieto. Eles ainda não estão preparados para a verdade.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Idiossincrasias

(i.dios.sin.cra.si.a)

1 Constituição individual, em virtude da qual cada indivíduo sofre diferentemente os efeitos da mesma causa.

2 Qualquer detalhe de conduta peculiar a um indivíduo determinado e que não possa ser atribuído a processos psicológicos gerais, bem conhecidos.
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Aí está a definição de idiossincrasia segundo o dicionário Michaelis.

Quando eu era pequeno, tinha dificuldades de entender a palavra. Ficava pensando o que o índio tinha a ver com isso. Índio Sincrasia.

Hoje, já tendo desvendado o vocábulo, reconheço uma das minhas:

Comer batata-frita Pringles, aquela das latinhas, sempre com o lado do tempero virado para a língua.

É fácil. O lado de cima, côncavo, não tem aquele pózinho salgado que dá gosto a batata.
O lado de baixo, convexo, aquele que faz a barriguinha, tem todo o tempero.

Pra mim, faz toda a diferença.

Não realizar o ritual é um desperdício de sabor.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Será que precisamos de um Batman?

Com a cara lavada e o bigode imundo, Sarney discursou nesta terça-feira no senado.

O presidente da casa driblou as acusações como um garrincha encapetado. Renegou os escândalos como se não fossem dele.

-Todos os congressos do mundo têm seus problemas! Essa crise não é minha, é do Senado.
.
Bradou como se fosse uma criança recém-chegada ao parque. Mas, como bem lembrou o comentário político da CBN, Sarney já está no terceiro mandato como presidente da casa. Conhece muito bem as entranhas podres das maracutaias e é responsável por boa parte delas.

Com atos secretos, deu emprego ao neto, a duas sobrinhas, exonerou sem exonerar uma chefe de gabinete. Tudo com aquele dinheirinho que eu e você demos tão duro pra conseguir.

Se não me engano, o Senado tem um orçamento anual de 2 bilhões de reais. Será que eu prefiro saber pra onde vai esse dinheiro ou prefiro seguir na minha quase-ignorância?

É lógico, nada vai acontecer ao Sarney nem a nenhum pilantra que trabalha(?) sob o teto do suntuoso prédio de Niemeyer, construído com uma meia-bola de cada lado e duas torres ao centro.

Com os horrores da ditadura militar tão recentes, é quase uma heresia dizer que não se confia mais na democracia. É perigoso demais manifestar publicamente o castigo que, no íntimo, julgamos que esses canalhas merecem.

Por isso, sugiro solução mais amena:

Não estaríamos precisando de um Batman que trabalhe só em Brasília?

Que desse um vôo rasante sobre o senador bigodudo no momento exato em que o picareta, distraído, estivesse entrando no seu carro, no estacionamento vazio sob a noite escura.

Nosso herói laçaria o sacripanta com a Bat-corda e o capturaria sem deixar vestígios. Depois de dar-lhe um baita susto, fazendo o confessar seus crimes nojentos, abandonaria-o ao nascer do sol, pendurado de cabeça pra baixo feito morcego.

Batman continuaria o procedimento justiceiro nas semanas seguintes: Renan Calheiros, Fernando Collor, os mensaleiros do PT e quem mais precisasse de um corretivo.

Em pouco tempo, todos os políticos de Gotham City estariam borrados de medo, coagidos, infelizmente, pelo terror e não pelo respeito à eficiência da Justiça.

Já perdi as esperanças nas autoridades e nas leis. Que pena.

Alguém no DF, por favor, ligue o holofote tatuando os céus da noite negra. Deixe aparecer, para todo político ver, o sinal do morcego justiceiro.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Xixi a bordo

A Ryanair, companhia irlandesa de aviação, vai cobrar $ dos passageiros que queiram usar o banheiro. A medida, segundo um jornalão do Rio, começa a valer a partir do ano que vem.

A resposta íntima que tenho para isso é a seguinte: como eu gostaria que algum passageiro, com uma veia Che Guevara, baixasse as calças e fizesse as necessidades no corredor. Só para protestar.

Absurdo, bizarro. Como assim, cobrar por um xixi? Em pleno vôo?

Quer dizer que se eu estiver apertado e não tiver um tostão furado no bolso, tenho que segurar até o avião pousar? Passar desconforto e constrangimento? Será que a lei permite isso?

Ou será que eu posso ficar em débito com a companhia de aviação e pagar lavando pratos no convés do avião?

Outra: como será o esquema da taxação do banheiro? Será que haverá preços diferentes dependendo da necessidade a ser realizada no toilette?

Antes de entrar no banheiro, aperte o botãozinho número 1 e pague 5 dólares. Se apertar o número 2, pague 10. Muito obrigado!

E como cobrar o preço justo pelo uso do sanitário? Como avaliar?

Sim, porque há duas formas de se olhar a questão:

Se considerarmos que são necessidades fisiológicas, tão essenciais quanto comer e dormir, o cara pagaria até 1000 dólares se tiver passando aperto.

Mas se adotarmos o ponto de vista de que trata-se de um reles xixizinho, coisa à toa, todo mundo faz... pode-se, até, cobrar a quantia simbólia de 1 dólar.

Quanto vale o xixi, afinal?

E pra que uma empresa aérea adota essa norma?

Será que entra no esquema novo das companhias européias, cujas passagens custam superbarato, e cujas verdadeiras fontes de lucro estão nas taxas salgadas sobre o peso das bagagens e alguns luxos a bordo, como canapés e bebidas?

Qual a finalidade de ato tão ilógico e insensato?

Aberto o precedente, poderiam, muito bem, começar a cobrar pelo cochilo dos passageiros.

Vários comissários de bordo ficam de tocaia, de olho nas pessoas como lanterninhas do cinema antigo.

Fechou os olhos, cabeceou pra frente, a cabeça pendeu para o lado, dormiu? Paga vinte dólares!!

-Mas por que?
- Ah, sei lá. Porque agora nosso esquema é assim! Urinou, dormiu, comeu? Paga!

Cada vez mais, o capitalismo frenético e mutante vai transformando, mais e mais, as pessoas em robozinhos. Claro, robôs não precisam ir ao banheiro. Fazê-lo é uma extravagância.

Pra mim, é covardia esquisita e gananciosa.

A notícia no jornal deve ter passado incólume por muitos leitores, já que o contexto da aviação não desperta o alerta da crítica. Se acontece no avião é normal, imagina!

Para mim, equivale a um sequestro com requintes de crueldade, no qual pessoas são colocadas numa cápsula de aço com asas a 900 km por hora e são cerceadas e constrangidas na hora de usar o WC.
Muitos já tem medo de voar e precisam lidar com isso. Imagina ter ainda o uso do toillete para administrar.

O avião, que já não é um lugar aconchegante para muitos, torna-se ainda mais inóspito e repulsivo.

Por isso tudo é que torço para os Che Guevaras do xixi. Que eles emporcalhem bastante os carpetes das aeronaves. Até que todas exalem um aroma medonho de urina, e as companhias aéreas se dêem por vencidas.

É a tática de guerrilha no século XXI.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Parado no tempo

Mastigando lentamente, com o olhar perdido, com preguiça de existir após duas jornadas longas de trabalho seguidas, fisguei um painel no outro lado da rua.

Fiquei admirando aquele letreiro de pizzaria, as cores, as palavras, e finalmente minhas atenções foram atraídas para o número de telefone do estabelecimento.

537-1934

Não, não estou fazendo propaganda de graça. Nunca provei a pizza de lá e nem sei dizer se é boa ou se só fica gostosa com catchup.

O número do telefone, a princípio, não representa nada.
Mas passa a significar alguma coisa quando uma nova informação é acrescentada ao cenário:

No Rio de Janeiro, todo telefone tem OITO NÚMEROS! E isso faz, pelo menos, UMA DÉCADA!

Por isso, fiquei pensando rápido enquanto continuei mastigando devagar (Mastigando temaki japonês, não pizza).

Há quanto tempo esse cara continua com o número de telefone antigo estampado no meio da rua São Clemente???

Quem deve ser essa pessoa, que desafia os conceitos mais modernos e arrojados do marketing?

Hoje, basta uma micronovidade que novos panfletos e posteres são impressos, emails jorram nas caixas de entrada, rádios e tvs gritam: - Atenção, o restaurante tal agora tem filial em tal lugar!!!

Enquanto isso, o pacato dono do "The Pizza" continua com seu letreiro obsoleto, defasado em 10 anos, menosprezando consumidores salivando pela entrega de uma quentinha, que digitam em vão um número que não existe.

Meus temakis já tinham acabado, eu já estava naqueles goles de guaraná para arrematar a refeição, e ainda não tinha formulado todas as hipóteses possíveis.

Qual será o principal traço da personalidade do dono do 'The Pizza'?

- Distraído, nunca percebeu que não divulgou o novo número.

- Relapso, tá pouco se lixando para o layout da fachada da loja.

- Coroa, curte uma onda "anos oitenta".

- Doidão (se der bobeira, a loja dele nem vende pizza!)

- Contestador, não se rende de jeito nenhum aos mínimos detalhes do capitalismo.

- Pobretão, não teve grana pra trocar o letreiro.

- Tranquilão, tem certeza que seus clientes saberão colocar o "2" à frente daqueles sete números.

Da próxima vez, largo meus temakis e atravesso a rua para perguntar: - Por que não trocaste o raio do letreio???

Se der bobeira, ainda peço uma fatia de pizza. Cheia de catchup.