segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Explicando

Como reagiu o primeiro homo-sapiens

quando ouviu o trovão pela primeira vez?


Quando viu irradiar pelas nuvens negras da noite

inéditos braços de relâmpago, em todas as direções?


Será que teve medo e correu pra caverna?

Ou teve uma divina inspiração?


Teve certeza de que estava vendo Deus?

De tão poderosa, barulhenta e sobre-humana a manifestação?


Certeza, esta, que o homem perdeu,

quando se achou capaz de tudo explicar.


Nuvens se chocam, carregadas de elétrons,

se esfregam e explodem em ruído trovejante.


Pronto, tá explicado. Tudo desvendado.


Sabemos como a coisa funciona, nos detalhes mais invisíveis,

e todos ficam felizes, satisfeitos.


Esquecem-se de perguntar a questão mais essencial:

quem colocou essas nuvens lá pela primeira vez?


Científica ironia:

revelar os mecanismos da natureza,

deixou, na realidade, o homem mais longe da verdade.


Deveriam aprender com aquele homem-macaco,

pré-histórico e pouco evoluído.


Bastou ver a explosão de luz e som

e não teve dúvidas:

É Deus.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Semanas

Semanas

seguem de mãos dadas

rumo ao futuro que deixa tudo pra trás.



O fim de cada uma

faz brotar o gosto pela próxima;

que será que virá?



Elas premanecem,

acorrentadas,

em uniforme compasso.



A cadência da caminhada

não deixa dúvida:

o que vem é igual a o que foi.



Rotina, semelhança,

e eu parado, de carona,

no ritmo da andança.



Nada muda,

eu não mudo,

exceto o passado que vai ficando mais pra trás.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sem piloto

A vida é o seguinte:

Você entra, senta e bate a porta.

O carro viaja sozinho, sem piloto.


O passageiro pode até escolher algumas coisas:

vai no banco da frente,

vai no de trás?

Fecha os olhos,

põe o capacete e aperta o cinto,

ou abre o teto solar,

põe a cabeça pra fora

e grita?


Enche a cara antes da viagem,

pra ver se dá mais emoção,

ou fica sóbrio, atento ao caminho,

para não ser pego de supetão?


Escolhas,

há muitas,

menos a direção das curvas,

a velocidade,

e o caminho a seguir.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Pistola e camisinha

Que as aparências podem enganar, nós sabemos.

Mas é incrível como, algumas vezes, o raciocínio lógico nos deixa tão distantes da verdade.

No livro O gosto da guerra do jornalista José Hamilton Ribeiro, um correspondente no Vietnã que, inclusive, perdeu a perna ao pisar numa mina, há um trecho bem interessante:

Ele conta o seguinte. Todo soldado e todo jornalista deveriam sair de seus abrigos rumo aos perigos da selva, impreterivelmente, portando dois ítens.

Uma camisinha e uma pistola.

Pra que esses dois objetos? Pensamos, é lógico, para fins sexuais e para matar o inimigo.

Algo normal numa guerra, não é?

Quem chegou à mesma conclusão, saiba logo: está redondamente enganado!

A arma não é para apontar para os outros, e sim para tirar a própria vida no caso de ser capturado pelo inimigo. O suicídio parecia uma saída mais digna do que sofrer torturas nas mãos dos vietcongues.

E o preservativo? Nada de sexo.

Era para levar cigarros, fósforos e documentos nos bolsos sem deixá-los molhar nos pântanos e nas chuvas. Protegidos pelo látex, ficavam intactos.

A certeza absoluta pode ser um caminho traiçoeiro.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ 2010!!!

Havia um milhão de pessoas dentro do shopping nesta quinta-feira, 31 de dezembro de 2009.

Turistas do Brasil e do mundo no Rio de Janeiro. A chuva estragou a praia da galera.

E todos infurnados no centro comercial, vizinho da Praia de Copacabana, o maior Reveillon do planeta.

Por coincidência, o tal shopping é, vamos dizer assim, a cozinha da minha casa.

Não ligo o fogão do meu apartamento há 3 anos. Sanduíches caseiros são raríssimos.

Frequento os restaurantes do Shopping todos os dias.

E o que aconteceu hoje? TODAS as opções estavam abarratodas, com filas e números de senha sendo distribuídas!!!

Na loja dos chinelos Havaianas, por exemplo. Sabe o que tinha? Tinha uma corrente segurando a fila do lado de fora, pra não deixar todo mundo entrar ao mesmo tempo!

Cara, você já viu fila pra entrar em uma loja da Havaianas??

Enfim, surrealismo puro!

Exijo que o mesmo esquema adotado para o Reveillon de Copa seja adotado para o Shopping Rio Sul.

As ruas do Bairro são fechadas, ninguém entra de carro ou de táxi!

Exceção, é claro, para os moradores de Copacabana! Claro, eles têm privilégios por residirem no lugar que é visitado por milhões apenas uma vez por ano!

E aí? Cadê a minha carteirinha de habituê dos restaurantes e lanchonetes do Rio Sul!

Quero furar fila, passar na frente!
Gente, vocês fazem comida em casa e tem refeição nos hotéis! Eu não!!!

Termino o ano de 2009 de cara feia, com fome!

Bom presságio para mudanças em 2010!

Feliz ano novo para todo mundo!

Muito obrigado pelas visitas!!!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

1 ano pra frente, 1 ano pra trás

Aperte um botão qualquer do seu computador.

Não importa qual. É apenas um exercício de imaginação.

Transporte-se para este mesmo dia, 30 de dezembro, mas de 2008.

365 dias atrás.

Agora, imagine-se ligando a TV e vendo a chamada para a retrospectiva DESTE ANO, de 2009:

O locutor informa: "Você vai ver os acontecimentos mais marcantes do ano, as imagens, as tragédias, etc..."

E as imagens que aparecem são as seguintes: O Felipe Massa com uma baita cicatriz no olho esquerdo, o funeral do Michael Jackson, o Rio de Janeiro sorteado como sede olímpica, Flamengo hexacampeão brasileiro, avião da Air France espatifado no chão.

Imagina o espanto, o seu espanto, na ignorância de 1 ano atrás, se pudesse ver todas essas imagens do futuro???

O que??? Michael Jackson vai morrer???
Flamengo??? Vai ser campeão brasileiro de pontos corridos???
Rio de Janeiro sede olímpica??? Tá de sacanagem né?
Felipe Massa com o rosto deformado???

Fiquei pensando em como será a chamada para a retrospectiva de 2010.

Se pudéssemos saber dela agora... quantas revelações teríamos, não?

Lúcio levantando a taça do Brasil campeão da Copa de 2010?
Vascão campeão brasileiro na volta à série A?
Obama sofreu um atentado??
Serra celebrando a eleição para presidente do Brasil?
Mísseis nucleares testados pelo Irã?
.
Enfim, que mundo surpreendente o mundo nos reserva.
Em quantas coisas não acreditamos agora... mas serão normais e manjadas daqui a 12 meses?
Que caminhos a vida tem guardados para nós? Para nós, planeta, e para nós, pessoas?

Se você tivesse a chance de dar uma olhadinha na retrospectiva da sua vida daqui a um ano, você espiaria?

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal


Na tal data
nos encontramos

Na tal ocasião
ficamos juntos

Fim de ano
lembro
e desejo

desenlaço
surpresas

desembrulho
tristezas

dezembro
esperanças

Jesus
é menino
como a vida
que habita em mim

Nesta data
na tal data
Seja feliz

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Definição: an.gús.tia - sf (lat angustia)

Angústia,

sensação que se esconde lá dentro.

Camuflada, não revela aos outros

sua verdadeira intensidade.


Para que fosse notada,

reconhecida, percebida pelos demais,

e com força semelhante à dor real,

precisaria nascer de uma cena grotesca:


A mão rompe peito adentro,

atropela as costelas, rasga o coração,

alcança as vísceras e as esmaga entre os dedos,

um líquido viscoso explode e escorre pelo braço.


Por dentro, no eco da caixa toráxica

uma tocha acesa, incandescente.

Pelas vias aéreas, um veneno gasoso na respiração,

que queima a cada suspiro.


No estômago, insere-se um bloco de chumbo

denso, pesado, grande o suficiente,

para permitir um trânsito mínimo

do bolo alimentar.


Ah, é claro,

tudo isso com a pessoa bem viva,

acordada, lúcida e consciente.

Pois angústia só se sente

quando não se sabe a hora de acabar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Corolário


Qualquer coisa que tenha pretensão literária deve, necessariamente, ter 141 caracteres ou mais.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Nada a dizer

Só pra registrar,

só pra relatar,

gostaria de acrescentar...


Escrever é força.

Gravar o pensamento.

Lavrar em pedra a sensação.


Hm, tenho a impressão...

Quero dizer, preciso falar,

tenho que me expressar!


Chegou a hora das palavras,

tenho muito a imaginar,

a contar, a declarar.


Escrever.

Pura explosão, puro poder.

Faz existir,
.
mesmo quando não se tem nada a dizer.